FIINSA 2026 transforma Manaus em ponto de encontro global dos negócios sustentáveis da Amazônia

O Festival de Investimentos de Impacto & Negócios Sustentáveis da Amazônia (FIINSA) abriu o segundo dia de trabalhos recebendo mais de mil pessoas, nesta quarta-feira (4), no Manaus Plaza Shopping. Em sua quarta edição, a abertura da recepção ao público foi marcada por uma homenagem ao ambientalista Mariano Cenamo, falecido em julho deste ano e um dos idealizadores do festival.

“Ele contribuiu e ajudou muito a construir os debates que a gente tem hoje em dia, as atitudes que estamos tendo em relação à Amazônia. Ele sabia que esse evento ia ‘bombar’, ele contou para as pessoas a expectativa que ele tinha do FIINSA desse ano e que a gente está fazendo acontecer um dos maiores FIINSAs da história, e vocês fazem parte disso”, disse o comunicador José Kaeté, que conduziu a abertura do evento.

O FIINSA é uma realização do Instituto de Conservação e Desenvolvimento da Amazônia (Idesam) e do Impact Hub Manaus. Na abertura, os representantes Gabriela Souza, líder de novos negócios do Idesam, e Marcus Bessa, fundador do Impact Hub Manaus, destacaram a alta participação na edição deste ano, com pessoas de diversas partes do mundo.

“Quando a gente realizou a primeira edição do FIINSA, lá em 2018, a conversa sobre o investimento de impacto e bioeconomia ainda estava começando, principalmente aqui na Amazônia, e boa parte dessas discussões não aconteciam aqui, aconteciam fora da região. E até essa provocação que a gente tem um FIINSA de sala cheia hoje”, disse Gabriela.

Marcus Bessa ressaltou o crescimento vertiginoso do evento, nascido como um fórum e transformado em um festival que saltou de 200 para 400 participantes entre uma edição e outra, chegando a 2026 com 1.050 participantes e 202 convidados entre painelistas, moderadores, anfitriões e facilitadores.

“A gente queria mostrar a diversidade que existe na nossa região. Quantas coisas incríveis que acontecem aqui não dava para a gente só discutir sobre o investimento de impacto e negócios tentáveis. A gente precisava falar de tudo que existe, tornando essa potência em realidade”, frisou.

Gabriela Souza lembrou ainda que a Amazônia está no centro das discussões globais, principalmente após a realização da COP-30 no ano passado, que foi um grande marco inclusive para a história do próprio FIINSA, já que “nunca se falou tanto sobre bioeconomia, investimentos verdes e o papel da floresta no futuro do planeta. Mas a pergunta que fica é: E agora? O que que mudou concretamente a partir de todo esse movimento?”.

É justamente esse questionamento que guia a quarta edição do FIINSA: “o futuro aponta para o Norte”, que além do tema, também é uma provocação para que as pessoas mudem a forma de olhar para a Amazônia e discutam sobre o potencial dela com as comunidades, empreendedores, pesquisadores e investidores locais.

Provocações

Ainda na solenidade de abertura, seis convidados foram chamados para realizar provocações aos participantes, cada um representando uma das trilhas de conhecimento do FIINSA: Enraizar, Escalar, Regenerar, Inovar, Estruturar e Encantar. Um deles foi Manoel Cunha, seringueiro nascido na região do Médio Juruá e uma das principais lideranças do Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS).

Em sua fala, Manoel Cunha pontuou que não temos mais a possibilidade “de não se enraizar nesse processo amazônico” e que é triste ver que, em pleno século XXI, as pessoas ainda não sejam levadas em conta quando se pensa em empreendimentos amazônicos.

“Que enraíze esse meu recado na cabeça dos nossos governantes, dos nossos empreendedores amazônicos, que esse modelo de desenvolvimento onde a exploração é feita levando em conta as pessoas da Amazônia apenas como mão de obra barata, para explorar matéria prima e essa riqueza acumulada enriquece meia dúzia de pessoas. Esse modelo está errado”, disse.

Outra participante das provocações foi Valcleia Lima, quilombola nascida no Pará com mais de 30 anos de atuação socioambiental na Amazônia e atual superintendente-geral adjunta da Fundação Amazônia Sustentável. Falando pela trilha “Estruturar”, Val destacou que a atividade socioambiental requer paciência e resiliência até atingir o objetivo final.

“Quando a gente pensa em estruturar, é algo que a gente vai dizer: tem um caminho a ser percorrido. Ele perpassa pela escuta, mas escutar de uma forma que você possa entender o que aquele território, o que as comunidades e as pessoas de fato têm como necessidade. Quando você chega no território, a necessidade é a urgência”, ressaltou.

Painéis

Após a abertura do segundo dia, os convidados puderam participar de até seis debates simultâneos sobre bioeconomia na Amazônia. Na Sala Rebojo, com o tema “Quem sustenta o longo prazo? Capital através de gerações na nova economia amazônica”, a empresária Mariana Barrela, CEO da Tutiplast, questionou como a indústria pode se adaptar à nova realidade da bioeconomia.

“A gente começou a achar alternativas. Mais ou menos há uns seis anos, a gente trabalha com alguns projetos relacionados à bioeconomia. Eu entendo que sim, a gente pode coexistir, porque a indústria, vocês todos entendem aqui, é o principal vetor econômico do Amazonas. Gera mais de 150 mil empregos no modelo da Zona Franca, mas ele pouco conversa com o interior, acho que quase nada”, disse.

Mariana pontuou o incômodo com essa ausência de comunicação entre o polo industrial e o interior e acredita que a indústria possa ser um indutor desse processo de bioeconomia para o restante o estado, principalmente por trazer uma capilaridade que muitos projetos necessitam.

“Por mais que a gente queira, a gente sabe que o que para de pé é o projeto econômico, é a viabilidade econômica para qualquer negócio, estou falando de grande escala. A indústria já ocupa esse lugar hoje. Então, o que a gente começou a fazer foi buscar e olhar para problemas ou para substâncias e insumos que posem ser substituídos por coisas ou por ingredientes da nossa floresta”, informou.

Evento continua

O FIINSA continua nesta quinta-feira (5) com mais de 40 atividades, rodadas de negócios e muitos debates, entre 8h e 18h.

O 4º FIINSA é uma realização do Idesam e do Impact Hub Manaus.

Patrocínio: Fundo Vale, Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), The Climate and Land Use Alliance (CLUA), Grupo Trigo, Fundo Casa Socioambiental, Soros Economic Development Fund, Bemol, CNP Seguradora e Programa Prioritário de Bioeconomia (PPBio), Order, Instituto Arapyaú, Mercado Livre e SEBRAE.

Apoio: Bezos Earth Fund, Amazon Investor Coalition (AIC),VOX Capital, Instituto Clima e Sociedade, Consulado da Mulher, Natura, Agência Felicidad, Amaz Aceleradora de Negócios de Impacto, Latimpacto, WRI Brasil, AMZ Bioecon, Marjon.

Parceria: Instituto Arumã, Uma Concertação pela Amazônia, Climate Ventures, Manaus Plaza Centro de Convenções, Conexsus, CBA, Fipecafi, Sitawi.

Apoio de mídia: Stanford Social Innovation Review Brasil, Página 22, Reset e DRAFT.

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