Na RDS do Piranha, famílias enfrentam a seca e os desafios de viver com os rios mais baixos

Na comunidade Braga, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Piranha, em Manacapuru (AM), a dificuldade de acesso à água afeta atividades básicas das famílias. Segundo o morador Noé Marques, a mortandade de peixes durante a seca deixa a água do rio com cheiro e dificulta seu uso para tomar banho e lavar utensílios. Para conseguir água, moradores recorrem à compra de baldes de 20 litros, vendidos por R$ 8.

A situação foi acompanhada pela Fundação Amazônia Sustentável (FAS) durante visita técnica à comunidade na última semana. Os relatos mostram como a seca interfere no cotidiano de quem depende do rio e enfrenta limitações na infraestrutura de abastecimento.

“Vão morrendo muitos peixes e aí essa água fica ruim para tomar banho, para lavar vasilha, fica com cheiro e a pessoa não tem de onde tirar a água. E a única solução é o poço”, relata Noé.

A compra de água representa uma alternativa, mas a quantidade disponível não atende às necessidades por muito tempo. “Vendem a R$ 8 o balde de 20 litros de água. Mas não atura. A pessoa aqui já está sem água de novo”, conta o morador.

Mesmo cercadas pela água em parte do ano, as famílias enfrentam dificuldades de abastecimento no período de seca.

Segundo Valcléia Lima, superintendente-geral adjunta da FAS, um poço perfurado há mais de 20 anos, já não atende adequadamente às condições atuais da localidade.

“Por mais que a gente esteja numa área de várzea, hoje o maior problema da comunidade é a água”, destacou.

Durante a visita, Valcléia também relatou temperatura elevada na água do rio e presença de peixes mortos. No deslocamento entre Manaus e Manacapuru, a equipe observou fumaça intensa, somando outro problema às condições encontradas no território.

Os relatos reforçam a necessidade de soluções de abastecimento adequadas à realidade das famílias e às mudanças nas condições ambientais. Para a FAS, a construção dessas respostas exige a participação das comunidades e a articulação entre diferentes setores.

“É importante juntar a organização do terceiro setor, a universidade e as empresas para desenvolver tecnologias que possam atender essas demandas”, afirmou Valcléia.

Aliança para fortalecer a adaptação

A articulação de respostas aos eventos climáticos extremos é a proposta da Aliança Adaptação El Niño 2026–27, iniciativa em elaboração pela FAS que busca conectar comunidades, organizações, instituições de pesquisa, empresas e poder público.

O objetivo é antecipar riscos e construir soluções que contribuam para proteger pessoas, modos de vida e territórios amazônicos, considerando o conhecimento e as necessidades de quem vive nessas regiões.

Na comunidade Braga, os relatos sobre a água mostram que essa preparação precisa caminhar junto ao enfrentamento de dificuldades já presentes. Garantir condições para beber água, preparar alimentos e realizar tarefas domésticas é uma demanda imediata das famílias.

Mais informações sobre a Aliança Adaptação El Niño 2026–27 e como apoiar estão disponíveis em: https://fas-amazonia.org/super-el-nino/

Deixe um comentário