Iniciativa ocorre no âmbito do Projeto Floresta+ Amazônia e pretende aproximar indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e agricultores às instituições financeiras para acesso a financiamento.
Começou em Altamira (PA) o primeiro ciclo de formação de Ativadores de Crédito Socioambiental, que segue até esta quinta-feira (24). A capacitação abre uma série de quatro formações que vão preparar, ao todo, 100 novos agentes para apoiar o acesso ao crédito rural voltado à sociobioeconomia e à agroecologia. O foco é a estruturação de projetos de crédito, incluindo as linhas do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).
A proposta é aproximar das instituições financeiras povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e agricultores familiares que trabalham com produtos da sociobiodiversidade. A formação é realizada pela Modalidade Inovação do Projeto Floresta+ Amazônia, coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) em parceria com o PNUD Brasil, com recursos do Fundo Verde para o Clima (GCF). A iniciativa integra as ações da Secretaria Nacional de Bioeconomia do MMA e conta com a parceria da organização Conexsus.
A qualificação responde a uma lacuna conhecida no acesso ao crédito rural na Amazônia. Comunidades que vivem da sociobiodiversidade e conservam a floresta ainda encontram dificuldade para chegar às linhas de financiamento criadas para elas, como as do Pronaf. Faltam profissionais preparados para compreender as especificidades das atividades produtivas das organizações comunitárias e para traduzi-las à linguagem das instituições financeiras.

As organizações comunitárias que conservam a floresta por meio de atividades produtivas diferenciadas também precisam ser assistidas por profissionais com conhecimentos adequados a essa realidade. Nesse sentido, a formação em sociobioeconomia e agroecologia de agentes de crédito rural funciona como ponte entre essas organizações e as instituições financeiras, viabilizando o acesso a linhas de crédito específicas”, ressaltou o assessor técnico do Projeto Floresta+ Amazônia, Giuliano Guimarães.
Do Plano Safra à prática – O conteúdo da formação inclui o Plano Safra 2026/2027, linhas de crédito, boas práticas produtivas e transição agroecológica, educação financeira, cooperativismo e associativismo e direitos territoriais. Os participantes também fazem atividades práticas de operacionalização do crédito no aplicativo CrediAmbiental e no Portal do Banco do Brasil.
Ao final, estarão aptos a elaborar projetos de Pronaf voltados à sociobioeconomia, com acompanhamento e apoio em educação financeira. Eles poderão integrar a Rede de Ativadores de Crédito Socioambiental da Conexsus e serão reconhecidos pelo MMA como Agentes de Crédito da Sociobioeconomia e Agroecologia. A habilitação para atuar nos territórios se dará por meio de termos de parceria e de processos junto às instituições financeiras.


Para o diretor de Políticas da Sociobioeconomia da Conexsus, Fernando Moretti, a iniciativa leva a política pública para a ponta. “A parceria da Conexsus com o Projeto Floresta+ Amazônia contribui para concretizar nos territórios a política pública do Ministério de valorização da floresta em pé e de quem a conserva. A formação de agentes amplia o acesso ao crédito e fortalece as oportunidades econômicas para povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares, conectando conservação da biodiversidade, produção sustentável e geração de renda”, afirmou Moretti.
Política nacional – A formação faz parte de um programa instituído pelo MMA e pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) para capacitar agentes de crédito com atenção às realidades dos territórios. “Ampliar o acesso ao crédito é fundamental para fortalecer uma bioeconomia que valorize a floresta em pé e gere renda para povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares”, destacou a diretora de Políticas de Estímulo à Bioeconomia do MMA, Bruna De Vita.
Segundo De Vita, a parceria entre a Conexsus e o Floresta+ Amazônia ajuda a colocar esses objetivos em prática. “Estamos preparando agentes para apoiar as famílias na estruturação de projetos e no acesso ao Pronaf, unindo inclusão produtiva e conservação da biodiversidade”, completou.
Fotos: Júlia Lisboa

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