Nova plataforma impulsiona a sociobioeconomia

Lançada pelo Idesam, a iniciativa mapeia a força produtiva de cooperativas, associações e empreendimentos locais em região estratégica para valorizar a floresta em pé e conter o desmatamento na Amazônia

Ao fortalecer organizações locais e conectar a produção comunitária a políticas públicas, setor privado e mercados, o Painel Redes da Sociobiodiversidade do Interflúvio Madeira-Purus – lançado nesta segunda, dia 2, pelo Idesam – representa um passo-chave para o desenvolvimento sustentável de uma importante região da Amazônia que enfrenta o desafio do desmatamento, grilagem de terras e expansão de infraestruturas, como a rodovia BR-319. A estrada que liga Manaus a Porto Velho cruza uma das porções mais bem conservadas de floresta, e os impactos de sua pavimentação têm sido alvo de intenso debate na busca por alternativas econômicas que conciliam produção, melhoria de indicadores sociais e conservação ambiental.

Desenvolvida com apoio da Fundação Moore, a plataforma interativa mapeia cooperativas, associações e empreendimentos com dados sobre produção, comercialização, infraestrutura, oportunidades e desafios, como os impactos das mudanças climáticas. Há diversas funcionalidades para ampliar o detalhamento dos dados. “O objetivo é subsidiar políticas públicas e promover conexões com o setor privado e o mercado, visando desenvolver a economia com melhoria da qualidade de vida e manutenção da floresta em pé”, afirma Fernanda Meirelles, líder da Iniciativa Governança Territorial do Idesam.

Foram mapeadas oito atividades econômicas e mais de 60 organizações socioprodutivas. Além de dar visibilidade de mercado, a ferramenta contribui para promover a inteligência territorial, fortalecer redes, atrair investimentos e impulsionar parcerias. “É preciso aproximar instituições governamentais, não governamentais e iniciativas privadas ao potencial da sociobioeconomia local”, ressalta Meirelles.

O mapeamento abrange a peculiar região do “Interflúvio Madeira-Purus”, no Sul do Amazonas, considerada estratégica no Plano Nacional de Bioeconomia, em construção pelo Ministério do Meio Ambiente. O território compreende 11 municípios e se caracteriza pela grande diversidade biológica e étnica, no total de 18 povos indígenas, além de comunidades ribeirinhas, extrativistas e agricultores familiares, com centenas de comunidades que dependem diretamente dos recursos naturais para sua subsistência e geração de renda.

“A região é a bola da vez para a conservação da Amazônia”, reforça Meirelles, ao lembrar a importância da bioeconomia para impulsionar ações sustentáveis em área sob crescente pressão como nova fronteira do desmatamento. Para proteger a floresta contra o avanço da agropecuária e os impactos da reconstrução da BR319, foram estabelecidas diversas unidades de conservação, terras indígenas e assentamentos rurais. Segundo Meirelles, “após a criação dessas áreas, torna-se necessário desenvolver as cadeias da bioeconomia”.

Apesar das iniciativas de conservação, o município de Lábrea (AM) – localizado no Interflúvio Madeira-Purus – tem liderado os índices de desmatamento no Amazonas. Figura entre os que mais desmataram em toda a Amazônia Legal, no mês de abril, segundo dados do Deter. Nesse mês, o desmatamento cresceu 67% na área de influência da BR‑319.

“Com organizações comunitárias mais fortalecidas e preparadas, maior número de extrativistas passa a manejar a floresta em pé, sem destruí-la”, enfatiza Keivan Hamoud, integrante da Associação dos Produtores Agroextrativistas da Região de Beruri (Assoab). A produção de castanha de mais de 320 famílias é beneficiada para empresas como a Natura, principal parceira. “O Painel dará visibilidade para que os investimentos anunciados para a Amazônia cheguem de fato à ponta”.

Para Junior Rosario, liderança da Central das Associações Agroextrativistas da Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Amapá (CAARDS), também integrante do Painel, o gargalo está no transporte e na dependência de preços baixos pagos por atravessadores. Com carro-chefe no açaí, além da banana, cacau e farinha, a organização reúne 1,8 mil produtores da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Rio Amapá, em Manicoré (AM). “No Painel, vamos expor não só produtos ofertados, como também as dificuldades e a necessidade de parcerias”.

Sobre o Idesam

O Idesam é uma ONG amazonense com atuação na Amazônia Legal desde 2004 e trabalha pela conservação e desenvolvimento sustentável da Amazônia e suas populações. Possui a qualificação de Organização Social de Interesse Público (Oscip) e possui o reconhecimento como uma das 100 melhores ONGs do Brasil em 2022 e como a melhor organização ambiental da Região Norte pelo prêmio Melhores ONGs 2020. Recebeu o Prêmio Empreendedor Social 2022, promovido pela Folha de S. Paulo e Fundação Schwab, na categoria ‘Inovação e Meio Ambiente’; e é credenciado como ator da Década das Nações Unidas da Restauração de Ecossistemas (2021-2030). Para saber mais, acesse: www.idesam.org 

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