“Bom pra Cachorro – O Circo Teatro do Abelardo”

*Jorge Bandeira

Estamos no encerramento do brilhante Festival Sesi Cultura Infância, neste 20 de outubro de 2024, nas dependências do Teatro Icbeu, em Manaus. Abelardo agora fará sua festa, depois de ser o mestre de cerimônia do Festival ele aparece triunfal às 19:25 para apresentar seu fabuloso circo, com sua interação espetacular com os infantes.

Sua trupe conta com a presença de Gafanhoto e Bolacha, que iniciam as peraltices com aniversários de mentira, onde as crianças apagam velas e a animação é intensa neste circo mágico de bonecos. O Leão surge sem aparecer, num jogo lúdico onde impera a luva-garra do colossal felino, eis a criatividade do Circo do Abelardo, que com pouco faz transbordar o muito.

A história do circo, envolvente, na memória de todos nós, resgata paixões entre os mastros erguidos e empanadas vislumbradas. É uma delícia de ver e sentir a naturalidade com que tudo se desenvolve e se engendra a olhos vistos. O Circo Teatro do Abelardo gira e nos faz girar, dando asas à nossa imaginação e proporcionando um riso gostoso ao público.

A iluminação e sonoplastia se coadunam com tudo que acontece no palco, o duo de artistas não deixa a peteca cair, o tempo de resposta entre uma gag circense e o movimento dos atores é preciso, e cada boneco é objeto em cena ganha vida e personalidade lúdica neste universo comandado por Abelardo, o cão mais simpático do mundo. Ursinhos dançarinos, carrinhos, elefantinho, macacada agitada, todos estão ali para dizer: Abelardo chegou para alegria de vocês, crianças.

Dalila Gonçalves está se maquiando para entrar, escutamos sons de descarga e o riso é geral, pois de inusitado e surpresas é feito este circo, que faz de sua tenda um aparato de sonhos e alegrias contagiantes. Um detector de mentiras é posto à prova, este invento maravilhoso que denuncia falcatruas a partir de seu uso e abuso.

A trupe sulista se apodera de fatos e personagens da ruralidade e urbanidade do Amazonas para aproximar ainda mais o público de suas situações   joviais. Aragona e Nina, a empregada são alertadas para as mentiras do inventor e no melhor estilo punch do teatro de Mamulengo, a pancadaria acontece, com vassouradas fugas.

Chega a vez da apresentação de Patrícia Peralta, a pulga atleta, em seu perigosíssimo número na boca do canhão. Mãozinhas estagiárias do circo colocam o minúsculo canhão onde Patrícia entra, e outra vez o imaginário torna-se real, acompanhamos a pulga atleta e torcemos para ela vencer seu desafio, porém algo de errado acontece e a pulga ganha o auditório, pois errou seu alvo.

Situações inusitadas não param de acontecer, a ambulância chega para resgatar Patrícia Peralta, socorristas a procuram no meio do público que não para de rir, e as sequências de riso se avolumam. O coelho Renato Aéreo faz seu número tremendo, é um estreante, e sua habilidade nas cordas é testada, e tudo ocorre bem. Entre trovas e rimas, entre risos e vontade em querer mais, Abelardo anuncia o final do circo mágico, e todos ali só pensam em novas alegrias e surpresas para crianças de todas as idades no próximo Festival Sesi Cultura Infância. Que ele chegue logo!

*Jorge Bandeira é crítico de Teatro e professor do curso de Teatro da Universidade do Estado do Amazonas.

Manaus, 22 de outubro de 2024.

ROTEIRO E DIREÇÃO: MARIO DE BALLENTTI E RAFA CAMBARÁ

ATORES MANIPULADORES: GABRIEL FELDS E MARIO DE BALLENTTI

CENÁRIO E BONECOS: MARIO DE BALLENTTI E DIEGO KURTZ

TRILHA SONORA: ARTHUR DE FARIA E PAULO CAMPOS

ILUMINAÇÃO: JOÃO AQUINO

MONTAGEM: DANIEL SALES E EDVALDO E JUCÉLIO NOBRE

DIREÇÃO ARTÍSTICA: MARIO DE BALLENTTI

REALIZAÇÃO: CAIXA DO ELEFANTE TEATRO DE BONECOS

Deixe um comentário